Não recebemos simplesmente um mundo já organizado: a sensibilidade e o entendimento contribuem para a forma da experiência. Para Kant, o espaço, o tempo e as categorias não são invenções pessoais arbitrárias. Permitem o conhecimento objetivo dos fenómenos, ao mesmo tempo que limitam o que podemos afirmar para além deles.
Uma situação para pensar
Distinguir a forma como uma investigação organiza os seus dados da conclusão a que chega. Reconhecer as condições do conhecimento não implica que todas as opiniões sejam igualmente válidas.
02
Autonomia moral
Autonomia não significa seguir todos os desejos. É a capacidade de dar a si próprio uma lei que a razão possa reconhecer como válida para todos os seres racionais. A ação moral exige que se examine o seu princípio, e não apenas a vantagem pessoal ou o castigo esperado.
Uma situação para pensar
Antes de conceder uma exceção a si próprio, formule a regra da sua conduta. Poderia querer que todas as pessoas aceitassem essa regra numa situação comparável?
03
A pessoa como fim
Uma pessoa nunca deve ser tratada apenas como um meio. A cooperação exige muitas vezes que contemos com os outros, mas deve permanecer compatível com a sua dignidade e capacidade de escolha. Esta exigência põe em causa a manipulação, as promessas enganadoras e as relações de dominação.
Uma situação para pensar
Obter o acordo de outra pessoa ocultando informações decisivas é servir-se da sua decisão sem respeitar plenamente a sua capacidade de consentir.
04
O uso público da razão
As Luzes exigem oportunidades para submeter ideias à discussão pública. Kant distingue este uso público de certos papéis institucionais, a que paradoxalmente chama usos privados. Esta distinção histórica é mais complexa do que um simples apelo a fazer o que se quer.
Uma situação para pensar
Uma pessoa pode desempenhar uma função institucional de acordo com as suas regras e, ao mesmo tempo, publicar uma crítica fundamentada dessas regras. A questão é saber que espaços tornam essa crítica efetivamente possível.