VoltaireIluminismo · deísmo · filosofia da tolerânciaGUIA DE LEITURA · Para começar · 9 min

O jardim contra o sistema

Acompanhe a viagem de Cândido para ver como um conto filosófico põe o otimismo à prova da guerra, das catástrofes e da injustiça.

Uma introdução original. Este guia acompanha a obra; não é o texto integral nem uma tradução.

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Situando o texto

Publicado anonimamente em 1759 como tradução do alemão do «doutor Ralph», o conto responde ao terramoto de Lisboa de 1755 e aos debates sobre a providência que este reavivou. Visa menos a metafísica do próprio Leibniz do que um otimismo divulgado na linha de Pope e Wolff; Voltaire negou durante muito tempo ser o autor do livro. Expulso de um castelo da Vestefália, Cândido atravessa a guerra, um naufrágio, o terramoto de Lisboa, a Inquisição, as Américas e o Eldorado. Cada catástrofe põe à prova a doutrina do seu preceptor Pangloss segundo a qual tudo está pelo melhor, até que o conselho final de cultivar o próprio jardim substitui o sistema por um trabalho modesto e partilhado.

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Seguindo os argumentos

Otimismo: A fórmula de Pangloss transforma cada infortúnio numa parte necessária da melhor ordem possível, e a narrativa confronta-a com sofrimentos que ela não consegue consolar. Sátira: A guerra, a Inquisição, a cobiça colonial e a escravatura surgem através de um olhar ingénuo que expõe a violência de instituições respeitáveis. Jardim: O final «é preciso cultivar o nosso jardim» propõe um trabalho limitado, prático e partilhado em vez de uma teoria completa do mal.

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Continuando a leitura

Leia primeiro o capítulo inicial, os capítulos de Lisboa e a conclusão, e depois o episódio do homem escravizado do Suriname; repare como o tom neutro do narrador agudiza o horror em vez de o atenuar. Publicado anonimamente em 1759 como tradução do alemão do «doutor Ralph», o conto responde ao terramoto de Lisboa de 1755 e aos debates sobre a providência que este reavivou. Visa menos a metafísica do próprio Leibniz do que um otimismo divulgado na linha de Pope e Wolff; Voltaire negou durante muito tempo ser o autor do livro.

Uma ideia para guardar.

Um sistema que explica todos os males pode impedir-nos de os ver; um trabalho modesto e partilhado começa onde a teoria falha.

A tua vez de pensar.

  1. Que catástrofe revela melhor a distância entre a fórmula de Pangloss e aquilo que as personagens sofrem?
  2. O que exige às personagens cultivar o jardim, e o que deixa por resolver?
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