Nascimento em Florença
Nasceu a 3 de maio numa antiga família florentina de meios modestos; o pai era um jurista com interesses humanistas.
Uma biblioteca aberta de pensamento
Ver a política como é, e não como se imagina.
Nicolau Maquiavel foi secretário, diplomata e escritor florentino: serviu a república de 1498 a 1512 e, depois de ser afastado, escreveu O Príncipe, os Discursos sobre Tito Lívio e as Histórias Florentinas. Examinou a política a partir do modo como as pessoas realmente se comportam, pesando força, fortuna, instituições e conflito cívico; o seu nome tornou-se sinónimo de cálculo implacável, uma imagem que as suas obras complicam.
Nasceu a 3 de maio numa antiga família florentina de meios modestos; o pai era um jurista com interesses humanistas.
Semanas depois da execução de Savonarola, foi eleito secretário da Segunda Chancelaria e pouco depois serviu também os Dez, a magistratura da guerra e da diplomacia.
Os seus despachos da Romanha seguem de perto os métodos de Bórgia; o duque tornar-se-ia depois um exemplo central de O Príncipe.
Organizou uma milícia recrutada nos campos florentinos, que participou na reconquista de Pisa em 1509.
O regresso dos Médicis custou-lhe o cargo; depois da prisão e da tortura, retirou-se para a sua quinta e redigiu O Príncipe.
Morreu em junho, semanas depois do saque de Roma; O Príncipe e os Discursos só foram impressos em 1531–1532.
Nicolau Maquiavel nasceu em Florença a 3 de maio de 1469, numa família antiga mas empobrecida. O pai, Bernardo, doutor em leis com uma modesta biblioteca, obteve um Tito Lívio impresso em troca da elaboração do seu índice de topónimos, um primeiro elo com o historiador que o filho viria a comentar. Niccolò aprendeu latim e leu os historiadores e poetas romanos; chegou mesmo a copiar à mão o poema de Lucrécio. Quando os Médicis foram expulsos em 1494 e a pregação de Savonarola dominou a cidade, assistiu à reconstrução de uma república entre fações e exércitos estrangeiros.
Em junho de 1498, semanas depois da execução de Savonarola, foi eleito chefe da Segunda Chancelaria e pouco depois passou a servir os Dez, responsáveis pela guerra e pelos negócios estrangeiros. Durante catorze anos redigiu despachos e cumpriu missões junto de Caterina Sforza, da corte de França, de César Bórgia na Romanha, em Roma e junto do imperador Maximiliano. Próximo do gonfaloneiro Piero Soderini, convenceu a cidade a levantar uma milícia no seu próprio território, que ajudou a recuperar Pisa em 1509. Estes anos deram-lhe os casos e as comparações que preenchem as suas obras posteriores.
Em 1512 um exército espanhol restaurou os Médicis, Soderini fugiu e Maquiavel perdeu os seus cargos. No início de 1513 foi suspeito de participar numa conjura, preso e torturado, e depois libertado na amnistia que se seguiu à eleição do papa Leão X. Retirado na sua quinta de Sant’Andrea in Percussina, descreveu numa carta de 10 de dezembro de 1513 como, todas as noites, vestia trajes de corte para conversar com os antigos e tinha composto uma pequena obra sobre os principados. Seguiram-se os Discursos sobre Tito Lívio, a comédia A Mandrágora e as conversas com jovens republicanos nos Orti Oricellari.
A partir de 1520 recuperou lentamente o favor dos Médicis: escreveu uma Vida de Castruccio Castracani, redigiu para eles uma proposta de reforma da constituição de Florença e recebeu a encomenda das Histórias Florentinas, que apresentou ao papa Clemente VII em 1525. A Arte da Guerra saiu em 1521. Morreu em Florença a 21 de junho de 1527, logo após o saque de Roma e a restauração da república. O Príncipe e os Discursos foram impressos em 1531–1532 e, em 1559, todas as suas obras foram incluídas no Índex. Desde então foi lido como mestre da tirania, como republicano encoberto, como sugeriram Espinosa e Rousseau, e como fundador de uma ciência política separada da teologia.
A sua obra abriu um debate duradouro sobre a relação entre ética e política, alimentou o pensamento republicano de Harrington aos fundadores norte-americanos e continua contestada: uns leem nela um mestre do mal, outros um teórico da liberdade, do conflito e das instituições. Lê-lo implica distinguir os textos da lenda do «maquiavelismo».
Fontes e pontos de referência